12 CESTOS CHEIOS: O SOBEJO DA MULTIPLICAÇÃO

12 CESTOS CHEIOS: O SOBEJO DA MULTIPLICAÇÃO

julho 12th, 2019
Simone Machado

“E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca. Recolheram-nos, pois, e encheram doze cestos de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.”
João 6:12,13

INTRODUÇÃO
Vamos falar de um assunto muito importante e cotidiano das famílias, que é a sobra, o resto, o restante. No dia a dia da família, ela depara com eventos diários e como lidar com a questão da sobra, já que ele é frequente, recorrente na família. Essa ideia de encher cestos com o resto, viver do resto (2 Rs 4.7) é muito importante, porque neste milagre veio também o sobejo — a sobra que excede o necessário.
O Evangelista João, atinou para a palavra SOBEJO, quando estava tratando da sobra, dos restos dos pães e peixes que foram multiplicados por Jesus para atender uma grande multidão, que após comer e estar saciada, os pães e peixes que ainda estavam, e foram tão abundantes que estavam cheios.
SOBEJO, dá ideia do que excede, enorme, grande, intenso, que supera o necessário. No milagre da multiplicação dos pães e peixes, o sobejo, aponta para o sobrenatural de Deus que surpreende o homem. O milagre nunca será esclarecido pela mente humana, porém, aceito pela fé. Como alimentar 5.000 homens sem contar as crianças e as mulheres e ainda sobejar 12 cestos cheios? É milagre! Eu creio. A multiplicação não atendeu apenas a necessidade da multidão faminta. Excedeu, sobejando.
Jesus acabara de atravessar o mar de Tiberíades e uma numerosa multidão o seguia, porque tinham vistos os sinais e maravilhas que ele fazia e como curava os enfermos. Jesus subiu ao monte e se assentou com a multidão e os discípulos. Como de costume, passou a ensiná-los.
Jesus erguendo os olhos e vendo a grande multidão e o horário já avançado, disse para seus assessores diretos que era necessário comprar pães para alimentar a multidão, e, um deles, Filipe, disse: Não lhes bastariam duzentos dinheiros de pão, para que cada um deles recebesse um pedaço!
Na visão dos discípulos não seria possível atender aquela demanda num lugar distante de recursos; até porque uma grande quantidade de pães para atender à multidão tinha que atender três requisitos: 1) Dinheiro para comprar; 2) Planejar a compra; 3) Matéria prima estocada suficiente para a quantidade solicitada. O que Jesus pedia, na ótica de Filipe, precisava de dinheiro, produto e tempo para ser atendido. O que fazer? Não estou vendo o dinheiro; o tempo está esgotado e a quantidade de pães para fazer é muito grande. Não vejo o comércio para atender isso de imediato. Felipe não viu saída, mas Jesus bem sabia o que iria fazer e não deixaria os discípulos frustrados, pelo contrário, já tinha decido alimentar a multidão e ensinar seus seguidores a confiar na providencia de Deus, especialmente os discípulos a lidar com as causas impossíveis. Porque, tudo é possível ao que crê (Mc 9.23).

1. DISSE JESUS: FAZEI O POVO ASSENTAR EM GRUPOS
André, o primeiro dos discípulos que foi ao encontro de Jesus e de imediato levou seu irmão Simão para o conhecer dizia: “Sem dúvida, achamos o messias” — Que quer dizer o Cristo (Jo 1.40,41).
a) André informou a Jesus que na multidão havia um menino adolescente com cinco pães e dois peixinhos. “Mas, o que é isto para tanta gente?”, perguntou. As indagações são resultado de nossa incredulidade, falta de fé. Os discípulos era testemunhas oculares dos sinais e milagres realizados por Jesus, mesmo assim não acreditava nEle o suficiente para resolver o inquestionável.
b) Jesus ordena os discípulos a organizar o cenário do milagre, fazendo com que a multidão de assentasse até ser servida. Jesus pega os cinco pães e dois peixinhos; certamente pega doze cestos vazios que estavam com a multidão e coloca tudo em ordem para iniciar a multiplicação, enquanto os discípulos concluíam o trabalho de organização. Os milagres de Jesus eram realizados de forma organizada e sem pressa, tudo se procedia com ética e discrição.
c) Os discípulos olham para Jesus e informam que tudo está conforme determinado. Era a primavera, a relva estava verde e bonita e, como um tapete, oferecia um bom assento. As famílias unidas e organizadas, os discípulos em prontidão; todos os olhares estavam voltados para Jesus com pães e peixes em suas mãos. Jesus ora, dá graça, e os pães e peixes em suas mãos se multiplicam e, em pedaços, são colocados nos cestos e distribuídos com a multidão que come até saciar e ainda sobejaram de doze cestos cheios.

2. O MINISTÉRIO DE JESUS ERA ASSOCIADO À GRANDES PERSONAGENS DO POVO DE DEUS
Jesus perguntou aos discípulos: Quem diz o povo ser o filho do homem? E eles responderam: Uns dizem: João Batista; outros: Elias; e outros: Jeremias ou algum dos profetas (Mt 16.13,14). Aqui são várias correntes de interpretação do povo. Baseados na autoridade e poder com que Jesus exercia o seu ministério, eles o confundiam com estas grandes personagens.
a) Nós sabemos que João, o Batista, exerceu o papel de precursor, aquele que abriu o caminho para chegada de Cristo. O Profeta Elias, foi chamado por Deus num período de grande desafio, para enfrentar um governo e uma nação desviada de Deus. Elias veio como juízo da parte de Deus e restaurador espiritual de Israel. Jeremias, o profeta das lágrimas, profetizou a queda de Israel pelo poderio militar babilônico; viu o cerco ao seu povo e a impiedosa espada dos vencedores. Foi comparado ainda a outros profetas como Eliseu, o profeta dos milagres; Moisés, o profeta enviado ao Egito para resgatar o povo de Deus do extremo sofrimento, entre tantos outros.
b) Jesus não era visto na sua principal missão. Em Jesus podemos associar seu ministério a João, o Batista; ao profeta Elias; a Jeremias e a tantos outros profetas do Antigo Testamento, porém, o principal objetivo diretivo de Jesus, o Cristo, era e é ser o Salvador da humanidade, coisa que os grandes personagens não puderam fazer e nem ser. Tudo se resume em Cristo.
c) Quando Jesus multiplicou os pães e peixes e a multidão saciou, disseram: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo. Nota-se que a linguagem do povo estava muito ligada ao ministério e à valorização do profetismo com seus feitos. No entanto, quando fazemos a leitura do profeta messiânico, Isaias, ele destaca a vinda do prometido com um tom diferenciado dos profetas nacionais. Eles resolveram muitas questões para esta vida temporal, Jesus veio buscar e salvar o que se havia perdido. (Mt 18.11). Cristo é a única solução para a salvação de todos nós.

3. SOBEJARAM 12 CESTOS CHEIOS DE PÃES E PEIXES
Jesus envia os discípulos a servir o povo, que comeu até se fartarem, e, quando já fartos, o Mestre ordenou que recolhessem os pedaços para que nada se perdesse.

a) Os discípulos recolheram os pedaços e os 12 cestos ficaram cheios, resultado dos cinco pães que foram multiplicados por Jesus. A multiplicação dos pães e peixes tinha a finalidade de alimentar a fome física do povo, que, maravilhado com este poder, começou a buscar Jesus para comer pão novamente. Jesus então advertiu-os sobre a necessidade de buscar a verdadeira comida que subsiste para a vida eterna (Jo 6.27), a qual o filho do homem dará, porque Deus — o Pai, o confirmou com o seu selo.
b) O número 5 significa responsabilidade diante do Senhor. A Bíblia fala das 5 virgens prudentes; a mão tem 5 dedos e com elas realizamos as obras; Davi recolheu 5 seixos para enfrentar e vencer o guerreiro Golias. O número 5 também tem relação com a graça salvadora (são compostas de 5 letras). Certamente Jesus ao multiplicar 05 pães e sobejar 12 cestos cheios, mostrou um ensinamento prático que, os discípulos nunca mais esqueceriam: Eles seriam sempre responsáveis por alimentar a multidão. Para a Igreja do século 21 o dever de alimentar a multidão continua. É nossa responsabilidade diante do Senhor.
c) O pão simboliza a Palavra de Deus, o verdadeiro alimento indispensável para nossa saúde e vida eterna. O peixe simboliza o louvor. É bom lembrar que, quando Jesus multiplicou os pães e peixes e todos alimentaram com sobejo, a sobra foi só de pães e não de peixes. A Palavra de Deus é representada pelo pão e nunca pode faltar em nossas vidas, onde tem pão e peixe, a maior porção será de pão. O culto que realizamos hoje, todos aqueles que estão ministrando perante o Senhor devem ter em mente, mais pão e menos peixe; peixe e pão… pão e peixe. Aprendamos a lição, não precisamos inovar nada, a receita ficou pronta: Pão com maior porção e menor porção de peixe, é o suficiente e a multidão fica saciada com sobejo para levar cestos cheios para casa.

CONCLUSÃO
O trabalho de Jesus foi um ato de compaixão para atender a multidão que não tinha pastor, mas também para treinar seus discípulos a trabalhar e saber como dar solução aos problemas difíceis que enfrentariam no ministério.

 

Bertiê Magalhães

Pastor Presidente

 

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