MULTIPLICANDO A ATENÇÃO E O CUIDADO NA FAMÍLIA

MULTIPLICANDO A ATENÇÃO E O CUIDADO NA FAMÍLIA

Novembro 9th, 2018
Simone Machado
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Texto Áureo
Mas, se alguém não cuida dos seus, e especialmente dos da sua família,
tem negado a fé, e é pior que o incrédulo. .
1 Timóteo 5.8

INTRODUÇÃO
O Salmo 128 é um salmo de sabedoria, um salmo de Sião. É o nono Cântico dos Degraus. O escritor é anônimo. Como o Salmo 127, escrito pelo rei Salomão, trata das bênçãos de Deus ao lar e à família.
O individualismo, a independência tem causado um grande prejuízo na família contemporânea. Há uma crise moral e familiar em todos os níveis da sociedade. São muitos os problemas, diversos os pensamentos, pequenas as soluções e diminutos os interessados em uma melhoria.

1. PADRÕES PRIORITÁRIOS PARA UM BOM RELACIONAMENTO EM FAMÍLIA
Há Vários tipos de relacionamentos que envolvem e disputam atenção com a família. O Salmista vai descrever a convivência de uma família abençoada por Deus. É Isso nos inspira a buscar neste salmo 128 alguns padrões para os relacionamentos em Família.
a) Relação com Deus. Bem-aventurado aquele que teme ao SENHOR e anda nos seus caminhos. O primeiro nível do relacionamento familiar deve ser a sua relação com Deus. Muitas famílias são cercadas de pessoas, atividades e conforto e não encontram tempo para buscar a Deus. Quantas festas de Natal, Páscoa e outras que passam sem uma oração sequer. Parece que o dono da festa, Deus, nem foi convidado. A família vai bem quando busca direcionar suas decisões e planos de acordo com a vontade de Deus, através da oração familiar e aprendizado conjunto da Palavra.
A bênção de Deus é para “todas as famílias da terra” (Gn 12.3) e a família do cristão é abençoada pela fé nesta promessa. Orar juntos, ir à Igreja e viver na presença de Deus são formas de cultivar sua vida espiritual em família.
b) Relação Conjugal. O bom relacionamento entre marido e mulher é indispensável na vida familiar. O salmista descreve a mulher dentro de casa toda feliz como uma parreira cheia de uvas. Ou seja, todos querem estar perto dela. O cristianismo quebrou o tabu de que o homem é maior em autoridade que a mulher e os colocou juntos em submissão (estar sob a mesma missão) ao Senhor. A mulher amando e respeitando seu marido e o homem amando a esposa como Cristo amou a Igreja (Ef 5.25). É necessário muita comunicação e de qualidade, para que cada um entenda e assuma a sua função, compreendam suas expectativas mútuas e juntos possam administrar o lar com sabedoria e satisfação. A felicidade conjugal deve ser compartilhada em cada momento, inclusive nas dificuldades. Como está sua vida conjugal? A felicidade deve ser construída em conjunto.
c) Relação com os Filhos. “Teus filhos, como rebentos da oliveira, à roda da tua mesa” Outra área de relacionamento familiar é com os filhos. O salmista descreve o relacionamento entre pais e filhos com um momento de confraternização ao redor de uma mesa. Contudo, sabemos que esta cena é cada vez mais rara no meio das famílias. O número de filhos criados sem o pai ou a mãe tem aumentado consideravelmente. Com isso muitas crianças recebem uma educação falha e os pais perguntam ‘onde foi que eu errei?’.
É determinante para o futuro das famílias a convivência e o respeito mútuo entre pais e filhos. No relacionamento entre pais e filhos, quando os pais mostram o seu papel, cumprem suas obrigações e ensinam os filhos, a tendência é haver correspondência de parte dos filhos que se sentem amados pelos progenitores.

2. PADRÕES SECUNDÁRIOS PARA UM BOM RELACIONAMENTO EM FAMÍLIA
a) Relação com a Igreja. v.4 “Eis como será abençoado o homem que teme ao SENHOR” O relacionamento com a Igreja deve fazer parte de todas as famílias. A Igreja cristã começou dentro de casas, com as famílias. Infelizmente quando começaram a reunirem-se em templos, as famílias foram ficando em segundo plano. É importante a convivência da igreja com a família e da família com a igreja. Igrejas fundadas por famílias são igrejas fortes. É impressionante a força missionária de famílias bem estruturadas que constituem lideranças cristãs sólidas e consistentes, deixando resultados por gerações. Se a família vai bem a igreja está ótima, mas se houver omissão por parte da Igreja, as famílias desmoronam carregando consigo a Igreja que deveria ser o seu apoio. Inadmissível mesmo é ver a Igreja de Cristo conformando-se com a presente situação do mundo e até mesmo se adaptando aos novos “padrões morais” da modernidade. A Igreja é uma extensão da família!
b) Relação no Trabalho. v.2 “Do trabalho de tuas mãos comerás, feliz serás, e tudo te irá bem” Cada família é marcada pela área profissional que ocupam. A rotina da família de um médico é diferente da rotina de um pedreiro, um padeiro, um policial, professor, etc. Isso tudo acaba determinando muito sobre o relacionamento em família, sendo necessário organizar o tempo para não se perder em meio ao ativismo.
Não adianta trabalhar muito e ganhar muito dinheiro e perder a maior de todas as propriedades que é a família. O salmista declara que o trabalho é razão de: 1) Sustento: “do trabalho de tuas mãos comerás”. 2) Satisfação: “feliz serás”. 3) Sucesso: “tudo te irá bem”. Assim é a vida de quem sabe equilibrar o trabalho como bênção de Deus para a família. Você tem trabalhado demais? Cuide bem de sua família!
c) Relação com a Sociedade. “O SENHOR te abençoe desde Sião, para que vejas a prosperidade de Jerusalém durante os dias de tua vida” O texto indica a relação da família com a Jerusalém que representa a sociedade ao redor da família. A família depende do meio em que está inserida, mas não pode absorver tudo o que há ao seu redor. O lar precisa ser protegido dos contra ataques mundanos que procuram se infiltrar para enfraquecer os relacionamentos familiares. O equilíbrio é a saída para ter uma família saudável sem perder amigos ou se isolar da sociedade. Muitas vezes as influências externas prejudicam a relação da família. Como é a relação de sua família com os vizinhos? Abra sua casa, mas não a deixe desprotegida! Cuide bem de seu relacionamento familiar!

3- DAVI UM ÓTIMO REI, PORÉM UM PÉSSIMO PAI
Davi foi um ótimo rei. No antigo testamento se destaca a liderança de Davi, Sessenta e seis capítulos no AT faz menção a Davi, e isto não inclui cerca de 59 referências à sua vida no Novo Testamento. Davi reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.
As realizações de Davi foram maravilhosas. Era um homem notável: brilhante organizador, gerente e estrategista. Davi foi Músico, poeta, pastor, escreveu 73 Salmos, porém a Bíblia não esconde as fraquezas do ser humano. A Bíblia registra as boas ações destes homens para servirem de exemplo para nós e as fraquezas para não os imitarmos nos seus pecados.
a) Davi um péssimo esposo e péssimo pai. Tinha esposas e filhos em excesso, para poder orientá-los e criá-los de forma adequada. No principio Deus criou Adão e Eva, este é o modelo, monogamia, um homem e uma mulher. Há pouca diferença entre a vida comum e a do palácio do rei quando a orientação e educação paternal é insuficiente. Um rei pode gerar pródigos e rebeldes tão facilmente como as classes sociais menos favorecidas.
Foi exatamente isso que aconteceu com Davi, ele perdeu o controle do lar. Ele tinha filhos indisciplinados. No capitulo treze do segundo livro do profeta Samuel vem á tona o descontrole do lar de Davi. Amnon ama sua irmã Tamar e comete um incesto. Absalão seu irmão mata Amnon e fica foragido por três anos em Talmai, depois retorna a Jerusalém e comete uma traição contra o reinado do pai. Mais tarde o sobrinho do rei Davi, Joabe, mata o Absalão.
b) Davi, um pai omisso. v.19-21. A corte ficou sabendo do escândalo. O país ficou sabendo do escândalo. O rei ficou sabendo do escândalo, mas não fez nada. Absalão, irmão de Tamar, esperou que o pai fizesse alguma coisa. Tal ato teria, como penalidade necessária, a morte de quem o praticou. Mas Davi nada fez. Então, Absalão a chamou para morar consigo. A irmã morou com ele por dois anos, durante os quais ele esperou, dia após dia, que o pai chamasse a filha para um beijo, um abraço, um aconchego e que o pai chamasse Amnom para uma confrontação. Davi mostrava-se decidido; mas, por trás das cortinas, dentro das paredes de sua casa, ele era passivo e negligente.

4. A NECESSIDADE DA DISCIPLINA

1 Rs 1.5-6
Quando Davi já era velho, seu filho Adonias, como Absalão, tentou também usurpar o trono. Então Adonias, filho de Hagite, se exaltou, e disse: Eu reinarei. Providenciou carros e cavaleiros, e cinquenta homens, que corressem adiante dele. Jamais seu pai o contrariou, dizendo: Por que procedes assim?
Veja essa declaração! Davi nunca “contrariou” o filho. O que isso significa? Ele falhara evidentemente em educá-lo como devia, em discipliná-lo quando necessário. Jamais o contrariara, perguntando: “Por que você fez isso?”
a) A importância de se impor limites. Hoje predomina a máxima: É proibido proibir. Cada um deve escolher o que melhor lhe agrada sem a interferência de quem quer que seja. A família está como um barco à deriva num mar tempestuoso. Os pais estão perdidos, perplexos e confusos vendo a família naufragar. Os filhos, sem parâmetros e balizas orientadoras de disciplina, estão se rendendo à uma licenciosidade perigosa, capitulando-se à devassidão. Choramos as consequências, mas não diagnosticamos as causas. Combatemos os resultados da crise, mas não lutamos contra as causas geradoras da crise. Não enxergamos com clareza os princípios que estão por trás das ações.
b) A estultícia está ligada ao coração da criança. A falta de disciplina traz vergonha e desgraça. A disciplina deve ser preventiva e interventiva. Deve ser firme e amorosa. Deve ser clara e justa. Deve ser bíblica! Agostinho dizia que um pai deve educar um filho vinte anos antes dele nascer. Primeiro, devemos ser disciplinados para depois exercermos com coerência e consistência a disciplina bíblica. Os pais jamais devem abrir mão de valores absolutos da Palavra de Deus.
b) O valor da proximidade com os filhos. Mais do que nunca os pais precisam estar perto dos filhos, precisam ser amigos dos filhos. As pressões que os filhos enfrentam hoje são descomunais. As armadilhas são mortíferas. A sedução do prazer é avassaladora. Os pais precisam investir nos filhos, gastar tempo com os filhos. Nenhum sucesso compensa o fracasso da família. Os filhos não precisam tanto de conforto, mas de amor. Precisam não de presentes, mas de presença. Precisam não de censura, mas de compreensão e disciplina amorosa.

CONCLUSÃO
Relacionamento é algo que não se faz sozinho. Por isso não adiante colocar a culpa em um membro da família apenas. Quando há um erro, este deve ser assumido e corrigido juntos. As vitórias também devem ser compartilhadas.
Parece que quanto mais pessoas se têm para conviver, mais difícil é conviver com as pessoas e quanto mais pessoas temos ao nosso redor mais estamos sozinhos. O ser humano não foi criado para viver só e muito menos infeliz em meio a muitas pessoas. É preciso encarar a situação familiar, conjugal, sexual e do relacionamento entre pais e filhos com coragem para mudar antes que seja tarde demais. Foi para isso que o Cristo “Messias” veio “para destruir as obras de Satanás” (1 Jo 3.8) e “para converter o coração dos pais aos filhos e dos filhos aos seus pais” (Ml 4.6), bem como do marido, da mulher, dos amigos, irmãos, namorados… de todos mutuamente um ao outro. Sua família está bem cuidada?

Pr Irian Carvalho
Pastor regional Irecê-BA

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